No Grupo DIA e no Pingo Doce <br>CESP e trabalhadores mantêm luta
SUPERMERCADOS A greve no Grupo DIA (Minipreço e Clarel), a 19 de Outubro, e a concentração na loja do Pingo Doce em Linda-a-Velha, no dia 20, reafirmaram a mensagem da luta nacional de 28 de Setembro.
Nas lojas e armazéns, o combate vai continuar, garante o sindicato
O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal saudou a forte adesão à greve de dia 19, no Grupo DIA, que provocou a «paralisação de dezenas de lojas». Numa nota divulgada nessa quinta-feira, o CESP enalteceu também a «determinação demonstrada na concentração» que teve lugar, à hora de almoço, frente à sede da empresa, em Oeiras, e na qual participou o Secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos.
Por unanimidade, foi aqui aprovada uma resolução em que se reafirma a justiça do conteúdo do caderno reivindicativo, apresentado há um ano, e a urgência da sua concretização. No documento – entregue na sede, ao cuidado da administração, com um pedido de reunião – ficou declarado o compromisso de «continuar a luta», até que a empresa «dê uma resposta séria, que corresponda às necessidades de todos os que contribuem para o seu crescimento».
Entre as reivindicações, reavivadas na resolução, o CESP e os trabalhadores inscrevem: o fim da discriminação salarial; aumentos salariais que compensem a perda constante face à inflação, desde 2010; a dignificação das carreiras profissionais dos trabalhadores nos armazéns; horários que permitam conciliar o trabalho e a vida pessoal; reclassificação dos sub-encarregados e das terceiras-chefias; fim da terceirização (sub-concessão) de lojas; negociação da revisão do contrato colectivo de trabalho da grande distribuição, no âmbito da associação patronal APED, de cuja direcção o DIA faz parte.
A negociação do contrato colectivo e a garantia de aumentos salariais para todos foram também duas das principais reivindicações que motivaram a greve de dia 20, sexta-feira, na loja do Pingo Doce, em Linda-a-Velha, e do protesto público que ali ocorreu durante a paralisação.
Num folheto distribuído aos clientes, o CESP explica que o Pingo Doce (Grupo Jerónimo Martins) anunciou que iria aplicar aumentos salariais em Outubro, dias antes da concentração que fora convocada para junto da sua sede, em Lisboa. Mas o anúncio não obviou a que esta tivesse sido uma «grande acção de luta», dirigida ao grupo que preside à direcção da APED.
O sindicato esclarece que os aumentos salariais anunciados dependem de «critérios» que deixam de fora «uma grande parte dos trabalhadores». «Vamos continuar a lutar, nomeadamente com acções à porta das lojas», garantia o sindicato, no comunicado em que divulgou o pré-aviso de greve em Linda-a-Velha.
Mantendo as acções de luta, exige-se: aumentos salariais para todos, diferenciando níveis, categorias e antiguidade; melhores condições de trabalho e cumprimento das normas de Segurança e Saúde no Trabalho; horários «humanizados» e cumprimento do contrato no modo como os horários são alterados; fim do «banco» de horas e dos «horários de bolso»; fim dos «brutais ritmos de trabalho».